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Insustentabilidade: cidades eficientes, o cenário possível

20 de maio 2013

Meio Ambiente / Notícias | Um Comentário

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Sustentabilidade. O termo que surgiu e foi difundido como necessidade urgente de futuro já não assusta mais, mesmo ainda sendo um palavrão. A economia? Deve ser sustentável. A arquitetura? Só vale se for sustentável. As cidades? Têm de ser sustentáveis! O termo foi tão usado que sua banalização pode cobrar um preço alto: de desejo de futuro, a sustentabilidade corre o risco de logo se tornar um conceito ultrapassado. Até porque, cidades sustentáveis podem existir? Ou esse é um conceito meramente utópico?

Pois já há quem o considere até pouco ambicioso. É o caso do decano da Universidade de Columbia, em Nova York, Mark Wigley, um dos pensadores do futuro das cidades. Em entrevista por telefone ao GLOBO, ele sentencia:

— Odeio o termo cidade sustentável, que seria o lugar onde não vai haver problemas. Acho que um conceito muito melhor é o da cidade que se volta para maximizar o que tem de bom, gerando mais e mais oportunidades e conexões entre seus habitantes.

Além de Wigley, o Morar Bem ouviu outros estudiosos do tema. Pedro Rivera, do Studio-X, braço brasileiro da Columbia, acredita numa cidade eficiente. Para os cariocas Flávio Ferreira e Ernani Freire, o conceito de sustentabilidade se perdeu em meio a ações pontuais que embora válidas são insuficientes, até por deixarem de lado questões como o adensamento de regiões centrais. Já os professores Liza Andrade, da Universidade de Brasília, e Henri Acselrad, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur) da UFRJ, seguem esperançosos em relação ao futuro, apesar de considerarem que a complexidade do conceito perdeu espaço para a mercantilização do termo.

— A sustentabilidade acabou se tornando um produto de mercado e sua essência se perdeu. Prefiro pensar numa cidade eficiente — diz Rivera.

Eficiência, continua ele, que está tanto no uso de energia, água, comida, como na gestão da informação.

— As tecnologias já existem. Hoje, com um smartphone, qualquer um sabe onde pegar uma bicicleta para usar. A capacidade de processamento de informações é enorme e vai crescer exponencialmente nos próximos anos. Precisamos aprender a gerir essas informações, hoje fragmentadas, para tornar a operação das cidades eficiente.

Quando isso ocorrer, imagina Rivera, projetos em escala macro, como grandes hidrelétricas, serão desnecessários pois as soluções serão menores, mais simples e localizadas nos bairros, com um mix que atenda a todas as necessidades dos moradores: comércio, trabalho, moradia, estudo, saúde.

— É preciso evitar que a cidade se espraie ainda mais. Não faz sentido criar núcleos distantes onde não há infraestrutura porque isso vai trazer dificuldades de mobilidade. A cidade deve ser densa e pequena. Assim será possível ter um sistema de transporte coletivo bem resolvido — diz Flávio Ferreira.

Bons exemplos seriam cidades como Estocolmo, na Suécia, ou Copenhagen, na Dinamarca, que Liza Andrade chama de cidades humanas, aquelas pensadas para o convívio das pessoas e não para os automóveis. Ou, como imagina Wigley, um lugar de encontros:

— A cidade é a primeira grande mídia social.

E os arquitetos pensam o futuro do Rio

Apesar de considerar cidades como Estocolmo ou Copenhagen bons exemplos de locais que fazem um bom caminho para o sustentável, a professora Liza Andrade, da UnB, lembra que não se deve simplesmente tentar copiar o que é feito em outros países. Defensora da sustentabilidade, ela acredita que a prática só é possível se partir antes da sociedade civil do que dos governos, e que é preciso avaliar as questões de cada local.

— Para mim, a palavra chave é contexto: cultural, social, político e econômico. Os princípios da sustentabilidade são universais mas as estratégias e técnicas devem ser contextualizadas e locais. É preciso ser específico para cada região.

No caso do Rio, por exemplo, embora ainda muito longe da realidade de cidades de países desenvolvidos, os estudiosos ouvidos pelo Morar Bem acreditam em seu potencial para ser essa cidade do futuro, mais humana e compacta. Mas é preciso pensar em novas soluções. Uma delas poderia ser o adensamento da região central, que receberia mais moradias:

— Não faz o menor sentido o centro histórico do Rio, que tem ótima qualidade arquitetônica e toda aquela infraestrutura, ser usado apenas 40 horas por semana. E por que não transformar os casarões e castelos de Santa Teresa em unidades multifamiliares? — sugere Ernani Freire.

Já Flavio Ferreira vai ainda mais longe. Para ele, além do Centro, a Zona Norte também deveria ser mais adensada, e até a ideia do que seria a região central da cidade deveria ser revista.

— O centro de uma cidade é o lugar que tem o maior fluxo de pessoas de manhã, chegando, e no fim da tarde, saindo. No Rio de Janeiro, isso vai além dos limites geográficos entre Lapa e Presidente Vargas. Começa na Tijuca e vai até o Leblon — avalia o arquiteto, que foi secretário de urbanismo do Rio na década de 1980.

O arquiteto Mark Wigley, um dos grandes pensadores das transformações urbanas, vê no Rio uma das grandes chances de se ter a cidade do futuro como ele imagina, cheia de conexões para seus habitantes, com ruas que ora são a estrada para o carro, ora são o espaço do pedestre ou para abrigar restaurantes, festas.

— No Rio de Janeiro, as ruas já têm um pouco essas qualidades. E a cidade é um laboratório fantástico para novas ideias, para se descobrir como os habitantes podem conviver. Está agora vivendo uma grande transformação, mas ainda assim não é e não será uma cidade terminada. Uma cidade é sempre um projeto.


1 Comentário

  • Ivan disse:

    MMPPPFFF…HAAAA..HAAA…HAA!…!Nc3O DIGUAM QUE Nc3O OUVIRAM ATc9 AO FIM?(o que e9 que o iraque teve a ver com o 11 de set.??…NADA.NADA!!!,disse Bush.NADA…MMfff…he..he..HEEE..

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